Pular para o conteúdo

O bebê com uma doença desconhecida, que pode ficar sem convênio médico

Agora há pouco eu recebi uma mensagem no Facebook muito importante: uma leitora do blog resolveu me escrever, para que eu conhecesse a história do pequeno Davi e de sua família. Ela foi relatada ontem no jornal Folha de São Paulo (a matéria completa você pode ver aqui). E sendo mãe, claro que me sensibilizei, e resolvi compartilhá-la também com vocês.

Aos três meses de gestação, durante o ultrassom morfológico, Jaqueline, a mãe do Davi, descobriu que o bebê tinha uma malformação grave, com poucas chances de sobreviver. No último trimestre de gestação, foi necessária uma intervenção dentro do útero – o pulmão do pequeno foi puncionado e foi colocado um dreno no local.

pes

O Davi nasceu, e felizmente hoje tem um ano e quatro meses – está em casa, mas depende de cuidados médicos (ele é alimentado por meio de uma sonda e tem a oxigenação de seu sangue monitorada enquanto está dormindo. Como nasceu com uma fenda palatina e malformação do maxilar, tem dificuldade de respirar durante o sono). E a família enfrenta dois grandes desafios: o primeiro, saber exatamente qual é a doença de Davi, já que todas as consultas médicas pelas quais passou até hoje foram inconclusivas sobre seu diagnóstico. E o segundo: lutar para que o pequeno continue a ter um convênio médico, que possibilita todo o atendimento que ele tem em casa atualmente.

No atual convênio que a família utiliza, Davi é dependente da mãe. Jaqueline tinha direito a um plano empresarial, pois trabalhava no RH de uma empresa de engenharia – ela foi demitida logo após o nascimento do filho. Como ela decidiu ficar em função de seus cuidados, não havia possibilidade de se manter no trabalho. Mas pelas regras da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), a mãe e seus dependentes poderiam ainda usufruir do plano por um período equivalente a um terço do tempo de contribuição – o que significa que Davi só tem convênio médico garantido até o próximo mês de maio.

Como o plano atual de Jaqueline se negou a aceitar o filho depois que o tempo a que ela tem direito acabar (apesar da mãe ter se prontificado a pagar o valor integral das mensalidades), ela procurou outros planos que pudessem cobrir Davi depois de maio. Entretanto, todos insistem em uma carência de dois anos (e aí nos perguntamos: o que a família fará durante todo esse tempo?).

Pelo Código de Defesa do Consumidor, a mãe teria direito de continuar no mesmo plano, pagando o valor integral, uma vez que não foi demitida por justa causa. Ou poderia migrar para outro plano, sem que fosse preciso cumprir o período de carência. Mas, infelizmente, em situações como essa, as famílias normalmente só conseguem que seus direitos sejam respeitados quando entram com um processo judicial.

Torço para que o Davi receba em breve um diagnóstico (o teste genético que poderia ajudar nessa descoberta tem custo de R$12.000,00 e esse valor está sendo arrecado pela família através de bazares). E, sobretudo, para que a lei do nosso país seja cumprida, e assim o pequeno tenha seu convênio médico mantido sem qualquer tempo de carência. Tenho certeza de que, divulgando e compartilhando essa história, estamos colaborando não só com a família do Davi, mas também com todas as outras que vivem situações semelhantes e que só desejam uma coisa: que suas crianças vivam da melhor forma possível, tendo seus direitos respeitados.

Foto cedida pela família
Foto cedida pela família

Gostou deste artigo?

Explore mais conteúdos como este navegando por nossas categorias ou acompanhe os posts de Nívea Salgado.