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Porque todo mundo precisa de um colo e de um abraço

Por Flávia Girardi

Cresci mas ainda conservo alguns impulsos da infância. Quando estou com fome fico irritadíssima. Se estou com sono então, fico num mau-humor danado que quase faço birra. Me distraio cinco minutos com alguma coisa e logo já estou procurando outra coisa para fazer, para criar,  para mudar de lugar.

Lido mal com separações. Tenho a capacidade de sentir saudades de pessoas que vejo sempre. Mudanças me assombram mais que fantasmas. Quando me casei, mudei de cidade, de emprego e estava, pela primeira vez, longe do meu centro de “apoio” eu surtei. Tive dificuldade de dormir, perdi a fome, tive algumas crises de pânico.

Imagem: 123RF

Era a criança que saia do colo dos pais. Fui ao médico que deu um nome pro que eu tinha: “Crise de Ansiedade”.  Chorei quando a medica disse que teria que tomar remédio (eu que me achava tão normal!).

Fiz terapia por um tempo. Depois a terapeuta me deu alta (fiquei surpresa e feliz, embora até hoje me pergunte baseado em que!?).

Conto isso para que as pessoas que me conhecem saibam que não sou tão calma assim (de perto ninguém é muito normal!).  E para dizer àquelas que não me conhecem, que a criança que um dia a gente foi, nunca vai nos abandonar.

Porque todo mundo precisa de um colo e de um abraço

Quando vemos um filho nosso fazendo birra, querendo colo, querendo dormir ao nosso lado, ou com medo daquele cachorro que a gente acha lindo e QUERIA PORQUE QUERIA que ele fizesse carinho e segurasse no colo, ficamos irritados, contrariados. E nos esquecemos que, se nós não sabemos direito lidar com nossas emoções, que dirá eles, que chegaram ao mundo ainda ontem.

Às vezes, tudo que precisam é de colo e abraço. Alguém que respeite seus sentimentos e os permita sentir. Sem expectativas, cobranças e comparações.

Sei que, por mais que me esforce, terei muitas falhas. E que elas refletirão na vida da minha filha, mas não tenho pretensões de não errar. Porque isso ė impossível.

Mas acho que devemos olhar para esses pequenos e lembrar de nós. Lembrar que fomos (e ainda conservamos muito) da criança.

E que se isso implica em medos e inseguranças, implica também na nossa capacidade de conquistar o mundo. De aprender. De renovar. De superar.

De olharmos as coisas com ternura e gratidão. E de acolher com todas as falhas, com um abraço largo. Como gostaríamos que fizessem conosco.

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